Giro Cultural de Fevereiro abre série de eventos em Niterói

Autores

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A 25ª Edição do Giro Cultural, que aconteceu no sábado do dia 08 de fevereiro de 2014, como sempre trouxe uma série de eventos para o centro de Niterói. Visitantes e amigos puderam conferir mais um lançamento na Livraria Ideal – Grupo Mônaco de Cultura. E na Sala de Cultura Leila Diniz, espaço cultural da Nova Imprensa Oficial, crianças e adultos puderam visitar a exposição que ficou na Sala até o dia 28 de fevereiro, e como sempre  assistiram a uma belíssima peça infantil  pela Cia de Teatro Infocus.

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A Livraria Ideal recebeu em uma manhã  de autógrafos, Luis Antonio Barros, que lançou junto ao amigo Luis Augusto Erthal pela Nitpress, “Amor  Segundo Luís Antônio Pimentel”. Este livro é mais um lançamento que o autor faz na livraria com a presença do próprio Luís Antônio Pimentel, poeta dos haicais.

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  • A obra

O livro “Amor Segundo Luís Antônio Pimentel”, está dividido em três partes:

1ª Parte: Poesias e Sonetos

2ª Parte: Haicais

3ª Parte: Novela: Doze Dias com a Leviana.

Organização: Luis Augusto Erthal e Luis Antônio Barros

Editora: Nitpress

Segundo o autor, o livro “Amor Segundo Luís Antônio Pimentel”, expressa basicamente as variantes de poesia que foi explorado na longa vida dele. “Há uma escolha de textos que se  inicia desde a primeira prática literária até dois anos atrás, quando foi comemorado o “Centenário de Luís Antônio Pimentel”. Hoje, aqui na Livraria Ideal , Pimentel chegou cedo para prestigiar o lançamento da obra. E este ano ele comemora 102 anos em 29 de março.”

Esta obra não se restringe à rimas pobres. E o amor apesar de ser um tema muito fácil, em Pimentel, demonstra na sua literatura conhecimento histórico, geográfico, filosófico e religioso. Enfim, ele tem uma vivência que se justifica ela intelectualidade pela experiência que el próprio viveu.

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  • Haicais

De acordo com o autor, a obra de Luís Antônio Pimentel não é tão extensa quanto se imagina, isto é,  considerando sua idade, e o que ele tem escrito. No  entanto, nesta obra encontra-se um Pimentel que foi passar alguns anos no Japão, e que trouxe de lá ideias renovadas sobre o fenômeno dos Haicais, que é formada de três versos, com o primeiro de cinco sílabas métricas, e o segundo de sete e o terceiro de cinco. “E é graças a essa novidade que Pimentel trouxe do Japão que muitas pessoas se tornaram haicaístas.”, diz o autor.

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  • Perfis de Mulheres

“Nesta obra há uma parte em que colocamos os perfis das mulheres em formas de soneto: Mulher Loira; Mulher Indiana; Mulher Bíblica, etc. Pimentel tem uma visão caleidoscópica da Mulher em geral. Por exemplo, a Mulher Bíblica, que vem da região de Quedar, e  está escrito no velho testamento. Por isso, percebemos essa grandiosidade que é o poeta Luís Antônio Pimentel, e que jamais pode ser esquecido”, afirma Luis.

  • 12 Dias com a Leviana

“A Novela “12 Dias com a Leviana”, poderia ser considerada uma novela que mostra uma posição meio única de mulher fatal, dominadora, sensual, e que conquista os  homens e os deixa  bastante loucos”, conta o escritor.

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  • Fotografia – Nudismo

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“Eu diria que o nudismo foi mais um trato de ousadia de Pimentel, ainda que numa época o nudismo era visto como falta de vergonha ou safadeza. Encontramos fotos na Sociedade de Fotografia de Niterói. Fotos com um nudismo tão natural e tão espontâneo que em nenhum momento, nos dias de hoje passariam uma ideia de transgressão ou falta de pudor.”

  • Fotografia – Pimentel

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“Outra descoberta foi a foto de capa do livro de Luís Antônio Pimentel, que encontramos na Sociedade de Fotografia de Niterói. Nesta foto encontramos um Luís Antônio Pimentel bem apresentado, muito bonito e de uma idade muito jovem. E acima de tudo o que mais chama a atenção, é esse homem tão talentoso e tão bem inspirado.”

  • Sinfonia de Amor em Pimentel

Em prosa ou em poesia,com focos em múltiplos temas – do individual ao social -, o nosso centenário Luís Antônio Pimentel essencialmente sempre escreveu sobre o amor. Parece ter adotado como divisa a famosa observação de Stendhal, em Vie de Henry Brulard, pelos idos de 1890: “O amor sempre foi para mim o grande assunto, ou melhor, o único”.

  • Haicais

Olhos de uva verde
anunciam que teu corpo
é taça de vinho.

Por teus pés desnudos,
irei até teus cabelos,
sondando o teu corpo.

Em teus olhos – verde.
Em tua boca – vermelho.
Paro ou continuo?!

Olhos de esmeralda.
Rubis nos lábios, nos seios.
E eu teu lapidário.

Túmidos, eretos,
teus seios de madrepérola
são conchas de borco.

Intelectual

Essa que lê Druon, Proust e Genet,
apenso ao naso a grossa lente ovoide,
que cita a Maintenon e a Sévigné, –
é uma intelectual quase esquizoide.

Tudo que pensa e sente, apalpa e vê
transforma em frase. E Goethe, e Byron, e Lloyd
são convivas do novo Rambouillet,
assim como Arthur Hailey, Marx, Freud.

É pansexualista. Vai do plexo
ao “id” e ao genital, expondo à prova
todo uma livraria sobre o sexo…

E no jogo do amor, quanto se nutra
das obras magistrais de Casanova,
promete reviver o Kama-sutra!

  • Poema do Amanhã

Amanhã, quando fores minha,
eu serei sol,
rompendo as brumas em que te envolveram.
Meus gestos serão paisagem
Escorrendo ternura.

Os passarinhos gorjearão madrigais
e nós entenderemos suas canções.
As curvas sensuais do teu corpo
serão musicais, serão acórdios,
nas cinco linhas nervosas,
da pauta das minhas mãos.

No pórtico multicolorido do arco-íris
gravarei, com meus olhos, teu nome,
em letras de luz.
Minhas carícias serão uma nuvem,
um tapete branco estendido sob teus pés.

De olhos parados,
olharemos apenas para os lados
vivendo as figuras dos murais egípcios.
Seremos peixes nadando num sonho morno e sem marés,
indiferentes ao que pela frente
possa vir.

  • Cigana

Deixa-me desnastrar-te as longas traças,
livrar-te dessas vestes coloridas
que escondem tuas formas quando danças
com o adufe de fitas retorcidas.

Lendo-me a mão, trouxeste-me esperanças
de amar de novo a vida em nossas vidas.
E hoje, de um bando, mansa entre as mais mansas,
possuo a flor das pombas foragidas…

Despoja-te dos brincos e miçangas,
que teus seios, promessa alvissadeira,
mostrem-se cheios do sabor das mangas,

e do corpo e das danças que me deres
reste a lembrança só da bailadeira,
a mais formosa e andeja das mulheres.

  • Ninfeta

Púbere apenas, sexo já maduro,
túrgidos seios, colo bem firmado,
porte moreno, cor de bronze, escuro,
és a ninfeta exposta, em nu ousado.

Sófrego busco o fruto, e me conjuro
em teu regaço, flor do meu pecado,
ao Sol aberto, untada de óleo impuro, num afagar de
ancas, ao lado a lado.

Do alto do tempo eu me diviso, e cresce,
no laborar dos grãos, safra obscura,
o sazonado trigo de outra messe…

Teu corpo brota – e neste ansiar nascente,
como posso beijar-te com ternura,
se teu amor é lavra inacandescente?

  • A peça novela 12 dias com  Leviana. 

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Baseada em um dos primeiros livros escritos por Luís Antônio Pimentel, a peça “12 dias com Leviana” apresenta o primeiro texto do autor levado para o palco.  A história, escrita em 1935, narra um romance intenso vivido por um jovem poeta – possivelmente o próprio autor – com uma cantora de rádio que resgata todo o glamour dos bastidores do broadcasting nos anos 30.

“Novela relâmpago em 13 lances”, como a definiu o autor, 12 dias com Leviana saiu publicada em 1944 pela Irmãos Pongetti Editores. Foi escrita, porém, quase dez anos antes na época em que Luís Antônio Pimentel, então um jovem jornalista de pouco mais de vinte anos, trabalhava ativamente na imprensa carioca e fluminense. Ele ganhou projeção ao publicar, entre 1935 e 1937, em uma coluna diária na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, chamada “Diz que diz”. Dedicava-se ali a comentar os bastidores e a programação do broadcasting na época das PR’s, quando o rádio se impunha como um dos maiores fenômenos da comunicação de todos os tempos.

  • Sala  de Cultura Leila Diniz

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Às 12h, os visitantes que compareceram na Sala de Cultura Leila Diniz, espaço cultural da Nova Imprensa Oficial, assistiram a peça infantil “O Casamento da Dona Baratinha”, encenado pela Cia de Teatro Infocus. Além disso, puderam conferir também, a exposição que permaneceu no mês de fevereiro “Brasil Goulart em “Ecletismo“.

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  • Visitantes

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Ana Paula Jorge, técnica de contabilidade, trouxe as  filhas Ana Luiza e Leandra.

“Achei a muito interessante, e já havia assistido a peça anterior. E voltamos para assistir essa. As crianças gostaram e acho que interagiu bem com elas.”

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Inês Bahiense, do lar, trouxe a filha Cristiane Bahiense que teve paralisia infantil.

“Minha filha gostou muito do teatro. E apesar de ela não enxergar muito bem, o barulho da música e a voz das personagens estimularam muito.”


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Gugu Araújo, produtor da Cia de Teatro Infocus, diz que a peça inova na produção e no texto. O Casamento da Dona Baratinha, inova na apresentação e traz um pouco do atual para o público: “Nós trouxemos o porco por exemplo, o porco é porco, mas não devemos ser porcos, devemos tomar banho e ser limpos. E o seu Raposo, que é trapaceiro e 171, sendo desonesto. Sabemos que a verdade e a  honestidade está muito difícil, mas usamos os valores reais para incentivar as crianças . No final, o pretendente com os valores de sentimento e de coração é o que conquista a Dona Baratinha.”

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Produção: Cesar Cavalcanti e Gugu Araújo

Marcelo de Andrade que interpretou o Porcujo

Dona Baratinha que é a Fernanda Vianna

Produção Técnica: Estela Fraxo

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A Cia de Teatro Infocus prepara espetáculos que podem ser apresentados  em mais de um lugar ao mesmo dia. E o próximo  Giro Cultural será no dia 08 de março com a peça infantil “Rapunzel”.

Entrevista: Cláudio Barbosa

Texto: Cláudio Barbosa

Fotos: Cláudio Barbosa

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