23ª Edição do Giro Cultural tem como destaque lançamentos de Sávio Soares de Sousa, Cofundador do Grupo Mônaco de Cultura. E Sala de Cultura Leila Diniz, traz peça infantil “O Livro Mágico” pela Cia de Teatro Infocus

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A 23ª Edição do Giro Cultural aconteceu no sábado do dia (09/11) com diversas atrações para o público niteroiense e visitantes. Nesta edição, a Livraria Ideal – Grupo Mônaco de Cultura, recebeu para lançamento Sávio Soares de Sousa, o Intelectual do Ano de 2013, eleito pelo Grupo Mônaco de Cultura. E na Sala de Cultura Leila Diniz – Nova Imprensa Oficial, a Companhia de Teatro Infocus, trouxe a peça infantil “O Livro Mágico“. O Giro Cultural acontece todo segundo sábado de cada mês, no centro de Niterói, e tem o apoio da Fundação de Artes de Niterói (FAN); Prefeitura de Niterói; O FLUMINENSE; e UNITEVÊ. O evento é gratuito e faz parte da programação niteroiense de cada mês. Além do Giro, o visitante que comparece aos eventos na Sala de Cultura Leila Diniz, pode conferir a exposição Expo (r) Godard que permanece no espaço cultural durante o mês de novembro.

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Sávio Soares de Sousa apresentou algumas obras de lançamento como “ENSAIOS DE MINHA DOUTA IGNORÂNCIA I, II E III SÉRIES.”;RAPSÓDIA PARA SANFONA; E O CANIBAL ARREPENDIDO & OUTROS DISCURSOS.” O Intelectual do Ano de 2013 recebeu amigos e convidados para a recepção calorosa na já tradicional Livraria Ideal, sendo frequentador desde o Fundador Silvestre Mônaco, pai de Carlos Mônaco, atual administrador da livraria. Sávio tem participação em eventos culturais e instituições fluminenses. Além de ser membro da União Brasileira de Trovadores (UBT). E Co-fundador e primeiro orador oficial do Grupo dos Amigos do Livro, atual Grupo Mônaco de Cultura.

 

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“Passei a frequentar a Livraria e outros conhecidos meus também. Até que um dia, Silvestre Mônaco resolveu ampliar as instalações da livraria. E queria que eu fizesse parte da Comissão Organizadora da Solenidade para inaugurar essas instalações. Eu, Carlos Couto, Luís Antônio Pimentel e Roberto Silveira, nós nos encobrimos de organizar a festa. Esta festa ficou linda e com muita gente. E durante esta solenidade um dos presentes que a Diretora do Departamento de Cultura do Estado E. Guimarães nos deu, foi a sugestão da constituição de um grupo de frequentadores da Livraria para promover reuniões literárias na loja. E aí na nasceu o Grupo dos Amigos do Livro.”

  • Livraria Ideal 

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Perfil

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Sávio Soares de Sousa nasceu em Niterói, RJ, em 18 de setembro de 1924. Filho de Oswaldo de Sousa e Vespertina Reis Soares de Sousa. Alfabetizado  em casa . Ginásio: Colégio Brasil, Niterói. Estudos pré-universitários: Colégio Universitário da Praia Vermelha, Rio de Janeiro e Liceu Nilo Peçanha, Niterói. Superior: Faculdade de Direito de Niterói, RJ (1943/1947). Vida profissional:  Bancário (Banco Mercantil de Niterói); Taquígrafo Parlamentar (Assembléia  Legislativa do Estado/RJ (1947/1960); Advogado, Membro do Ministério Público-RJ (Promotor e Procurador de Justiça -1960/1991). Vida Cultural; Cofundador do Grêmio Literário Humberto de Campos (1944); do  Clube de Poesia de Niterói (1956); do Clube Fluminense de Cinema (1956); da Associação Niteroiense de Cultura Latino-Americana / ANCLA e do Instituto Latino-Americano de Cultura/ILAC. Colaborador nos jornais O Estado, Diário do Povo e Letras Fluminenses (de Luís Magalhães). Redator literário de O Fluminense, responsável pelo suplemento “Prosa & Verso” (1962/1972), juntamente com Marcos Almir Madeira. Membro efetivo das Academias Fluminense, Niteroiense, Valenciana, Itaboraiense e Gonçalense de Letras. Membro da União Brasileira de Trovadores/UBT. Orador oficial do centenário do poeta Alberto de Oliveira, em Saquarema, RJ (1957). Fundador do Clube de Poesia de Itaboraí, RJ (1966). Co-fundador e primeiro orador oficial do Grupo dos Amigos do Livro, atual Grupo Mônaco de Cultura (Livraria Ideal, Niterói/RJ). Colaborador da revista Bali, da Academia de Letras, com a secção “Nozes e Vozes”. Foi crítico de cinema no Diário do Povo (1955).

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Obras Publicadas: “Mundo número dois”, poesia (1955); “O salto e o páraquedas”, poesia (1963); “A outra face de Alberto de Oliveira”, palestra/ensaio (1957); “Signo do sapo”, poesia (1970); “Argumento de Trovador”, ensaio (2006).

Em elaboração: “A penúltima guerra de Tróia”, poesia reunida; “Rapsódia para sanfona”, trovas; “Cinemania – virtude ou pecado?”, ensaio; “Recordações do Grêmio da Aranha”, memórias.

  • Livraria Ideal e Grupo de Amigos do Livro

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Sávio Soares de Sousa em Discurso lido na solenidade realizada no Teatro da Universidade Federal Fluminense em 06 de março de 1985: O CINQÜENTENÁRIO DE FUNDAÇÃO DA LIVRARIA IDEAL.

“Minhas Senhoras, meus Senhores, meus Amigos:

Precisamos fazer desta noite inesquecível. Uma noite que não se apague jamais de nossa memória afetiva. Que se fixe em nossa retentiva sentimental. Porque esta é, em verdade, uma festa do intelecto e do coração.  E seu significado transcende os limites de uma festa íntima, para assumir foros  de acontecimento histórico.

Não exagero.

As comemorações do cinqüentenário da Livraria Ideal, que nesta noite se iniciam, e hão de prolongar-se – assim o pretendemos – pelos meses seguintes, estas comemorações situam-se no Ano Nacional da Cultura e se inserem na alegria  coletiva da cidade de Niterói, que festeja o transcurso do sesquicentenário de sua fundação.

Não constituem, portanto, um fato isolado. Antes, integram-se num programa de comemoração, todas elas tendentes a cultuar os valores morais e intelectuais de nosso povo.

Pois vivamos intensamente este momento.

DADOS PRÉ-HISTÓRICOS

Recordemos primeiro.

Falar em Livraria Ideal é, desde logo, evocar a figura de Silvestre Mônaco, italiano da cidade de Saco, província de Salermo, chegado ao Brasil, aos quinze anos de idade, precisamente no ano da Revolução Modernista/1922.

Em 1931, estava ele em Niterói, a vender bilhetes de loteria, como tanto outros italianos. Mas, já desde aquele tempo, ficava olhando, de longe, a roda de boêmios que freqüentavam o famoso Café Paris – lili Leitão, Ângelo Rubano, Olavo Bastos. E não tardou a instalar-se pelas redondezas com uma cadeira-de-engraxate.

Aos poucos, foi descobrindo sua verdadeira vocação. passou a vender folhetos com anedotas de Bocage e livros de interpretação de sonhos, expondo a mercadoria num cordel estendido ao lado da cadeira-de-engraxate.

Até aí, temos a pré-história, digamos assim, de seu comércio livreiro.

PRIMEIROS TEMPOS

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A história da Livraria Ideal começa, abem dizer, em março de 1935, ano em que Silvestre Mônaco se instala com uma pequena loja na Rua da Praia (ou Visconde do Rio Branco), próximo à Rua Marechal Deodoro, iniciando-se na compra e venda regular de livros usados. Isto, sem desdenhar a velha cadeira-de-engraxate, conservada à porta do “sebo”, junto à qual se revezavam, no lustrar de sapatos, o livreiro e seu pai, Cármine Mônaco, que exerceu a profissão até atingir a idade provecta.

E o “sebo” foi progredindo. Por ele passaram, em sua fase de estudantes pobres, as figuras promissoras de Roberto Silveira, que mais tarde chegaria a Governador do Estado, e de Vasconcelos Torres, que honrou o mandato de Senador da república, assim como tantos outros jovens e adolescentes que, não dispondo de recursos para adquirir livros novos, buscavam ali, a preços módicos, as obras de que necessitavam para instruir-se ou para recrear o espírito.

Ali, à sombra acolhedora daquelas estantes empoeiradas, no estreito corredor em que então se resumia a loja do Silvestre, nasceram e se consolidaram grandes amizades. O próprio livreiro, por temperamento um homem generoso, facilitava as aproximação e participava dos diálogos, ouvindo muito, aprendendo muito.

Dotado de excelente memória, era bastante inteligente para assimilar as informações  que recolhia a propósito das obras expostas em sua loja. Conhecia todos os livros que expunha à venda, e não apenas por ouvir dizer, mas por leitura própria, pois freqüentemente levava alguns volumes para casa e os lia até alta madrugada. Assim, dava ao freguês a impressão – que, aliás, não era falsa – de ser um homem ilustrado, razoavelmente lido. Compreendia o amor aos livros, porque também ele os amava. E por isso não consentia que, por falta de numerário, alguém deixasse de levar um volume desejado.

Lê se distinguia da maioria dos livreiros conhecidos, por um detalhe, que Vinício Gomes assinalou numa crônica de adeus: “Era o único livreiro que possuía um caderno de fiado”. Roberto Silveira confessou, certa vez, que ficara “pendurado” no sebo do Silvestre por muitas vezes, ao tempo em que freqüentava o Colégio Plínio Leite. E Oswaldo Victer, um dos  mais antigos freqüentadores da Livraria e amigo íntimo de Silvestre, afirmou, num discurso que fez na Ideal: “Saibam todos que não foi só Roberto Silveira quem ficou “pendurado“; muitos ficaram e ficarão…”

Qual de nós – pergunto agora aos meus companheiros de buquinagem na Ideal – qual de nós não teve o seu nome anotado no famoso “Caderno” do Silvestre?…

DE FREGUESES E AMIGOS

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A verdade é que, apesar dessa generosidade, desse desprendimento, o comércio livreiro de Silvestre Mônaco se desenvolveu, cresceu. E houve necessidade de transferi-lo para melhores instalações. A  nova loja no número 226 da mesma Rua da Praia, foi inaugurada em 16 de junho de 1957, com comes-e-bebes, sendo a comissão organizadora, encarregada da elaboração e distribuição dos convites, constituída por Carlos Couto, Luís Antônio Pimentel Roberto Silveira e o orador.

Nessa mesma reunião, por proposta de Manoel Martins, fundou-se o Grupo dos Amigos do Livro, com a declarada finalidade de promover “a difusão cultural por meio de palestras e bate-papos periódicos sobre assuntos de cultura, inclusive a compra, à vista ou a prazos, de maior ou menor quantidade de livros, novos ou usados”.

Aí, nessa nova loja, “uma livraria metida a sebo”, como disse alguém na oportunidade, aludindo ao novo aspecto das instalações, inaugurou-se a tradição das “manhãs de autógrafos”, que se realizavam aos domingos e que reuniam, quinzenalmente, as figuras mais representativas da intelectualidade fluminense, sendo de destacar-se que tinham a prestigiá-las, com sua presença amiga, o então Secretário de educação e Cultura do Estado, Dr Alberto Francisco Torres.

UMA LIÇÃO DE SABEDORIA

Ao evocar a figura de Silvestre Mônaco, que me distinguiu com sua amizade, não posso deixar de recordar, aqui e a gora, outros nomes que igualmente privaram de sua estima, e entre eles, em primeiro lugar, faço questão de referir-me ao Professor Raul Stein de Ameida, homem culto e extraordinariamente inteligente, mas de uma simplicidade cativante, cuja conversação, despretenciosa, era uma aula perene, que todos recolhíamos com sofreguidão.

Como não lembrar, também, o nome de Jairo Quitanilha, um purista, um exímio conhecedor do idioma e seus segredos, igualmente ligado a Silvestre por um fraternal afeto?

E como não lembrar, também, a figura de Emílio Petráglia, sócio de Silvestre, que com ele parecia formar uma réplica italiana da dupla cervantesca – de Dom Quixote e Sancho Pança?

Silvestre era, como tive oportunidade de escrever no prefácio do livro de versos de Miguel Freitas Pereira e Carlos César Soares, “um raro exemplar da bondade humana”. E a prova está em que, passados quase doze anos de sua morte, aqui estamos, ungidos de emoção, a recordar sua amável passagem entre nós e a festejar o cinqüentenário de sua Livraria Ideal, que sobrevive, sem quebra de continuidade, graças á dedicação e aos esforços de seu digno sucessor, seu filho Carlos Silvestre Mônaco.

Vejam, meus amigos, como até nisto foi sábio o nosso Silvestre. Sabendo que um dia poderia faltar, e preocupado com a sobrevivência de sua obra, soube desde cedo instilar no espírito de seus filhos, muito mais pelo exemplo do que por palavras, o amor à cultura, o amor aos livros, com também o culto à amizade, tendo sido, por isso, um homem feliz, porque transmitiu a mão hábeis, a mão seguras, a mãos experimentadas desde a infância no trato do comércio dos livros, ou seja, à competência de seu primogênito, a responsabilidade de manter a Livraria Ideal no mesmo alto nível dos ideais de seu fundador.

UM COMPROMISSO COLETIVO

Dessa verdade somos todos testemunhas. Carlos Silvestre Mônaco, herdeiro da simpatia e da operosidade de seu pai, conservou e ampliou o círculo de suas amizades, firmando-se, por méritos próprios, no conceito de nossos meios culturais e sociais.

Neste momento em que evoco, sentidamente, a figura de Silvestre Mônaco, saúdo, portanto em seu filho, a certeza de que a Livraria Ideal, hoje cinqüentenária, continuará, por muitos e muitos anos, acolhedora e pródiga, a prestar à cultura fluminense novos e valiosos serviços.

Mas, meus amigos, não quero nem devo concluir, sem uma exortação aos que me ouvem, para que realmente esta noite seja, como disse de início, uma noite inesquecível.

Silvestre Mônaco costumava dizer que era um homem que vivia “dos livros, pelos livros e para os livros”. Isto, ele repetiu em várias ocasiões, inclusive num discurso que fez a Agripino Grieco, então em visita à sua Livraria.

Sendo ele dono de livraria, era compreensível que vivesse dos livros e para os livros. Mas, não sendo escritor, não se entende que vivesse pelos livros, isto é, através dos livros.

Juntamente sobre esse ponto é que desejo dirigir a todos os presentes uma sugestão e um convite.

Haveria várias formas de homenagearmos a memória de quem tanto fez pela cultura em nossa terra. Já a travessa em que reside sua família recebeu, por proposta de um digno vereador, o nome de Travessa Silvestre Mônaco. Entendo que ele fazia jus a uma Avenida, a uma Praça, a todo um Bairro. Mas, em verdade, tudo isso me parece transitório. Mudam-se os tempos, mudam-se os nomes das ruas, e tudo cai no esquecimento.

Meus amigos: precisamos imortalizar Silvestre Mônaco num livro – sim , num livro – numa grande obra coletiva, em que cada um de nós escreva o seu capítulo pessoal, dando o seu testemunho sobre a vida, o caráter, a personalidade desse italiano notável, que, nada obstante a origem modesta, a simplicidade de seus costumes, plantou um foco de luz imorredoura no panorama cultural de nossa cidade.

Desse modo, ele, que viveu dos livros e pelos livros, haverá de perpetuar-se também num livro, só seu, para perpetuar-se na admiração das gerações que hão de vir. Cabe-nos, a nós, a tarefa de escrever esse livro. Devemos, pois, selar, aqui, neste ato público, o nosso compromisso de construir o seu monumento.

Tenho dito.

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O Escritor Gilson Rangel Rolim, nesta 23ª Edição do Giro Cultural, concedeu um depoimento a respeito de Sávio Soares de Sousa: “Sávio, aliás, foi um dos fundadores do Grupo Mônaco de Cultura lá nos anos de 1950. Sobretudo, Sávio é um homem muito importante para a Cultura Fluminense. Trabalhou muitos anos em O Fluminense de Alberto Torres. Alberto Torres e Sávio eram muito amigos. Além disso, Sávio é um Poeta, Escritor e um Erudito. É um homem de uma cultura muito ampla e vasta. Todavia, Sávio não é um escritor de muitos livros, ele é um escritor de escrever: para discursos, jornais, editais, obras literárias e outros.”

DIA DA AMIZADE NIPO-VALENCIANA

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Discurso lido pelo rotariano Sávio Soares de Sousa, no Hotel dos Engenheiros, em Valença, por ocasião da visita do Embaixador do Japão, Sr. Keichi Tatsuke, àquela cidade fluminense.

Exmo. sr. Embaixador Keichi tatsuke; Exmo, sr. Embaixador Mendes gonçalves; Exmo. sr. Prefeito Luiz Jannuzzi; Exmo. sr. dr José Domingos Moledo Sartori, M.D. Juiz da Comarca; Exmo. sr. coronel Comandante da Guarnição Federal; Meu Amigo Antonio Siqueira, Presidente da Academia Valenciana de Letras e representante do Sr. Secretário de Agricultura; Sr. representante do revmo. Bispo Diocesano; Exmos. srs. Juízes de Vassouras e de Rio das Flores; Exmo. Sr. Vice-Prefeito; Sr. de Barra do Piraí e de Volta Redonda; Meus Companheiros de Valença; Meus Amigos da Colônia Japonesa:

Aqui me encontro para cumprir um dever, que é  para mim dos mais honrosos e dos mais agradáveis. Sinto-me ligado, há muito tempo, por estreitos laços de amizade ao povo japonês. Meu pai, o Dr. Oswaldo Soares de Sousa, a quem os japoneses chamam “O Hama Tatuó“, porque fala e escreve corretamente o idioma nipônico, ensinou- me a estimar e a admirar as imensas virtudes desse povo amigo, inteligente e trabalhador, emotivo e alegre, ordeiro e leal, prestativo e empreendedor. Recebi, portanto, com justificado prazer  a missão que me confiou o Rotary Clube de Valença, do qual faço parte, agora secundado pelos Rotarys de Barra do Piraí e de Volta Redonda, para, em seu nome, saudar, neste dia, o ilustre Embaixador do Japão e a Colônia Japonesa de Valença.

Não sou valenciano de nascimento. Assim, considero-me insuspeito para dizer que Valença tem uma tradição de nobreza e fidalguia, de hospitalidade e cavalheirismo, que lhe vem desde os tempos românticos do Império. Aliás, Valença é, na consagrada expressão, a “Princesa da Serra”. Nossos amigos japoneses já o sabem dizer: “Varença uá yama nó ó himé sama degozaimaçu“.

Valença pode orgulhar-se, entre outros títulos de glória, de ter dado ao Brasil um dos luminares de sua vida diplomática, o Embaixador Raul Fernandes, que aqui nasceu na Fazenda de São joão, à margem do rio paraíba, em outubro de 1877, e foi Ministro das Relações Exteriores, ao tempo do Presidente Dutra, e chefiou a delegação brasileira à Terceira Assembléia Geral das Nações Unidas.

Posso afirmar-vos, Sr. Embaixador Tatsuke, senhoras e senhores, posso afirmar-vos que Valença está vivendo hoje um luminoso dia, uma data que há de incorporar-se aos seus fastos históricos. Eu diria que hoje é verdadeiramente o “Dia da Confraternização Nipo-Valenciana”. ou, em japonês: “Kióo uá Valença nó hitó tachi to nihon gin nó shizen nó hi deçu“.

Valencianos e japoneses se irmanam hoje para festejar a presença, entre estas montanhas formosas, do eminente representante diplomático da gloriosa Terra do Sol Nascente. Mas valencianos e japoneses, já de há muito tempo, se acham identificados, no amor ao trabalho fecundo e no anseio permanente de progresso. Nos labores do campo, na faina do plantio e das colheitas, japoneses e valencianos lutam, num esforço comum, como bem acentuou há pouco o ilustre Prefeito desta cidade, na árdua batalha pelo aumento da produção agrícola para o abastecimento dos grandes centros consumidores. Em nossas escolas primárias e em nossos ginásios, crianças e valencianas e crianças japonesas ombreiam na conquista da cultura e no amor às duas pátrias amigas.

Valença sempre deveu muito à contribuição do imigrante. Muito do seu progresso é creditado aos descendentes de estrangeiros, sobretudo italianos. E aí estão os nomes de Jannuzzi, pentagna, Cosate, Pllegrini, Ielpo, Capobianco, para atestar a veracidade do que digo.. Pois, de alguns anos para cá, veio somar-se a essa contribuição a experiência dos imigrantes japonês, já responsável, em grande parte, pelo progresso dos Estados de São Paulo e Paraná. E ninguém ignora que, da produção agrícola de valença, um dos contingente ponderável é fruto da atividade do colono japonês. Assim, os nomes de Yokoama, Mitsuyasu, Saito, Yamashita, Ishimua, Takano, Matsuoka, Okabayashi e outros, passaram a figurar, com destaque definitivo, na história econômica e social desta região. E esta é, afinal, a oportunidade que temos para ressaltar, publicamente, estas verdades tão gratas ao nosso sentimento.

Sr, Embaixador Tatsuke:

O Rotary Clube de Valença agradece, imensamente honrado, a presença de Vossa Excelência nesta cidade.

Repetindo palavras do digno antecessor de Vossa Excelência, o ilustre Embaixador Yoshiro Ando, eu gostaria de dizer também que desejo ver estreitados, cada vez mais, os laços de amizade que unem os nossos dois países.

Assim faço votos por que, a partir deste dia, todos os anos, nesta mesma data, possamos estar aqui, reunidos valencianos e japoneses, para festejar a inabalável amizade nipo-valenciana.

Ou melhor, melhor, na própria linguagem nipônica:

“O uari ni uatacuchi uá mina sama to isshô ni atsumattê iru daróo to omoimáçú”.

Arigatô gozaimaçu“, Sr Embaixador.

Sávio Soares de Sousa comenta sua participação desde o início das atividades na Livraria Ideal e no Grupo Mônaco de Cultura, antes Grupo de Amigos do Livro: “

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A minha ligação com a Livraria Ideal tem a data de mais de 50 anos, ou bem mais. Eu era estudante e  frequentava o sebo de Silvestre Mônaco, que na época era apenas um porta aberta como se fosse um corredor. Com estantes de livros de cada lado. E na porta, a cadeira de engraxate, em que ele tinha o seu ganha pão como engraxate. Ele expunha os livros de cordel com vendagem de livros, com histórias de Bocage, e outras histórias desse tipo. O que eu conheço da carreira dele como livreiro passou a ler e a receber livros de graça para poder vender. Descobriu então mais uma tarefa que poderia render dinheiro e sustentar a família. E fez a sociedade com o primo. Eu era muito tímido, mas sempre lia muito e gostava de escrever. Entrava na livraria comprava os livros e nem conversava com o livreiro, até que um dia Professor L. Magalhães, que depois fundou um jornal chamado “Letras Fluminenses“, se encontrou comigo na Livraria e perguntou ao Silvestre Mônaco: “Você conhece o Sávio? Sim, eu conheço o Sávio. É o único freguês que vem aqui toda a semana, leva daqui um, dois, três livros. Sempre foi um bom freguês. Mas com uma característica que não é comum: Sempre pega o livro, não pergunta o preço. Compra, leva e vai embora. Nunca pechinchou. Parece até um psicólogo.” Então nasceu a partir daí uma grande amizade que durou por muitos anos, eu diria uns quase 50 anos. Já o Grupo Mônaco de Cultura: “Passei a frequentar a Livraria e outros conhecidos meus também. Até que um dia, Silvestre Mônaco resolveu ampliar as instalações da livraria. E queria que eu fizesse parte da Comissão Organizadora da Solenidade para inaugurar essas instalações. Eu, Carlos Couto, Luís Antônio Pimentel e Roberto Silveira, nós nos encobrimos de organizar a festa. Esta festa ficou linda e com muita gente. E durante esta solenidade um dos presentes,  a Diretora do Departamento de Cultura do Estado E. Guimarães,  sugeriu que agente constituísse ali um grupo de frequentadores da Livraria para promover reuniões literárias na loja. E aí na nasceu o Grupo dos Amigos do Livro. E foi registrado na Ata, que comprei e presenteei Silvestre. E daí para frente passamos a nos reunir aos domingos. E trouxemos vários escritores de outras cidades, alguns da Academia Brasileira de Letras para autografar livros na Livraria do Silvestre. E passou a se chamar uma livraria com cara de “Sebo”, porque tanto tinha livros usados como novos.”

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Endereço para Correspondência do intelectual:

Rua Tavares de Macedo, nº 171 aptº 401 – Icaraí – Niterói – RJ – Cep= 24.220-215

Fonte: Sousa, Sávio de. O canibal Arrependido, &, Outros discursos / Sávio Soares de Sousa. Niterói, RJ: Nitpress, 2006.

  • Sala de Cultura Leila Diniz

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Nesta 23ª Edição, a Sala de Cultura Leila Diniz trouxe mais uma peça infantil encenada pela Cia de Teatro Infocus. A Infocus inova sempre na constituição das peças infantis com seus atores. E desta vez, trouxeram a peça infantil “O Livro Mágico” com um mundo de encantos e músicas para crianças. Além disso, o visitante pode conferir a exposição do espaço cultural Expo (r) Godard.

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  • Gugu Araújo: “Este espetáculo mágico que se chama “O Livro Mágico” que nós podemos aguçar com o poder da imaginação, juntamente com o poder da leitura. A cultura junto com a diversão, imaginação e junção. É a estória de uma menina de uma escola, que termina de fazer uma avaliação e vai para o pátio. E como é uma peça, existe a plateia. A menina interage com a plateia, e a partir do momento em que ela começa a interagir, ela abre o livro, e esse livro é mágico. Ele tem o poder de trazer a realidade de algumas personagens. Entre elas, Dom Pedro I – com a história da Família Real Portuguesa. Uma Professora – que é uma estória que a menina já lê no livro Mágico, ela é divertida; E a figura irreverente do Palhaço – O palhaço que representa o povo brasileiro, a figura do folclore, a alegria, as músicas e enfim o Circo. E muitas coisas acontecem com a participação das crianças. O que diferencia a estória do Livro Mágico para Alice no País das Maravilhas é que em Alice no País das Maravilhas, aguça a imaginação e surgem as personagem. E Alice vai ao encontro das pesonagens. Já em “O Livro Mágico“, a menina vive o mundo real, do dia a dia, do cotidiano, ou seja, é um mundo paralelo ao de Alice. E ao aguçar a imaginação, as personagens vão ao encontro da menina.”

As personagens:

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Marcelo de Andrade – Dom Pedro I

SAM_0172Stela Fraxo – Professora

SAM_0256Gugu Araújo – Palhaço

SAM_0259Jenifer Aguiar – A menina

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“Cada espetáculo que apresentamos tem um elenco diferente para a encenação. No próximo Giro teremos outra peça. Aguardem o próximo espetáculo com O Bom Velhinho.”, frisa Gugu Araújo da Cia de Teatro Infocus.

  • Visitantes

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“Meu nome é Jorge W., viemos para o teatro e gostamos da apresentação. Achamos um projeto muito interessante, por isso, trouxemos o Iago e o Iuri, que pela primeira vez visitamos o espaço cultural da Sala de Cultura Leila Diniz, e voltaremos outras vezes. Por falar em diversão, meus filhos adoraram.”, conta Jorge, visitante da Sala de Cultura Leila Diniz.

  • EXPO (R) GODARD
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A exposição EXPO (R) GODARD, está aberta ao público neste mês de novembro. Jean-Luc Godard: um nome inesquecível para o cinema. Artista consagrado. Ensaísta. Crítico severo da sociedade e dos seus valores. Um transgressor por natureza. E, sobretudo, um brilhante artista interessado em experimentar a linguagem do cinema. Muitas são as palavras para descrevê-lo e comentar a sua obra – o que prova a extensão do legado – porém, a ideia de autoria (ou do cinema de autor) é um conceito fundamental para entender o trabalho deste incrível cineasta. Um patrimônio audiovisual tão indispensável, que, desde, então, influencia diretores em todo mundo e transforma profundamente o cinema como conhecemos hoje. Não deixe de visitar a exposição!

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O Próximo Giro Cultural já está marcado para o dia 14 de Dezembro de 2013, com a vinda do Bom Velhinho. Não deixem de participar do evento. O Grupo Mônaco de Cultura e a Sala de Cultura Leila Diniz aguardam a todos os visitantes.

Entrevista: Cláudio Barbosa

Texto: Cláudio Barbosa

Fotos: Cláudio Barbosa

Imagens: Arquivos do livro: Livraria Ideal: do Cordel à Bibliofilia.

 

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