Expo (r) Godard está em exposição na Sala de Cultura Leila Diniz

Autores

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Bernardo Florim

“Cinema é verdade 24 vezes por segundo”.

Jean-Luc Godard.

Jean-Luc Godard: um nome inesquecível para o cinema. Artista consagrado. Ensaísta. Crítico severo da sociedade e dos seus valores. Um transgressor por natureza. E, sobretudo, um brilhante artista interessado em experimentar a linguagem do cinema. Muitas são as palavras para descrevê-lo e comentar a sua obra – o que prova a extensão do legado – porém, a idéia de autoria (ou do cinema de autor) é um conceito fundamental para entender o trabalho deste incrível cineasta. Um patrimônio audiovisual tão indispensável, que, desde, então, influencia diretores em todo mundo e transforma profundamente o cinema como conhecemos hoje.

Começando na crítica cinematográfica – na lendária revista Cahiers Du Cinéma, que se tornaria, desde então, essencial no repertório de qualquer  jovem interessado pela experiência do cinema – Godard rompia com as tendências da produção francesa da sua época e ansiava por descobrir novos caminhos para uma moderna sétima arte. Tornou-se, na prática, um dos diretores que, a partir da década de 60, revolucionaram o cinema mundial. Ao lado de François Truffaut, Alain Resnais, Jacques Rivette, Eric Rohmer e outros, Jean-Luc Godard lançaria, em forma e significado, o movimento conhecido como Nouvelle Vague. Uma vanguarda do cinema francês, que resistia às narrativas convencionais e buscava outras maneiras de contar uma história através das imagens.

Logo, a chamada Nouvelle Vague – uma nova “onda” – consistia na subversão daquilo que era feito e visto, até então, nas salas de exibição francesas. Um não ao cinema de estúdio e aos filmes que deixavam de problematizar as grandes questões daquele tempo – “Cinema é verdade 24 vezes por segundo”, disse o próprio cineasta. Os filmes seriam obras de reflexão crítica e, principalmente, experimentação narrativa, estética e sensorial. No centro de tudo, a Nouvelle Vague apontava para a recuperação da figura do cineasta, frente ao produtor ou ao roteirista, como profissional fundamental da atividade cinematográfica: o autor do filme.

Mesmo dentro do movimento, porém, o cineasta de Godard era o símbolo maior da inquietude. Improvação. Longos pianos-sequência. Escolha de não-autores. Montagem ousada. Tempo inconstante. Uma narrativa em fragmentos. Não havia padrão a seguir – além da constatação. Acossado, Alphaville, O Demônio das Onze Horas, Week-End à francesa: obras de magistral domínio cinematográfico e poderosa experimentação formal, que, em pouco tempo, polemizaram-se em todo o país onde se discutisse e pensasse o cinema. Como os filmes de Godard seriam recebidos pelo mundo? E mais: qual seria a importância deles na formação dos novos cineastas ao redor do mundo? Pergunta que Godard e a Nouvelle Vague no Brasil tentarão responder – em especial, para a realidade brasileira.

Influências: De Hollywood às Cinematografias Marginais.

Se Nouvelle Vague representava uma transgressão e uma renovação na maneira de se filmar, esta nova possibilidade – de liberdade artística – também contagiava outras realidade e países, muito além da França.

Com certeza, muito da obra de Godard ganhou a estatura dos clássicos. Por isso mesmo, seus filmes  tornaram-se referência inevitável para toda uma nova geração de artistas – interessados em fazer cinema mais livre e pensante. É o caso, no coração da indústria, ou seja, em Hollywood, do nascimento de nomes imensos da cinematografia norte-americana, desde as décadas de 60 e 70 até hoje. Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Steven Spielberg, George Lucas e outros cineatas “de escola” – assumidamente influenciados pela estética de Jean-Luc Godard e nutridos pelo cenário intelectual de debate das possibilidades da sétima arte – que transformaram, pouco a pouco, a forma e o conteúdo também no cinema dominante.

Todavia, a cultura da transgressão também chegava (e com força) às cinematografias marginais. Se não era possível competir com o produto estrangeiro em qualidade técnica ou mesmo em presença no mercado, despontava a possibilidade de produzir filmes que fossem únicos, incomparáveis, pela intensidade e pela criatividade dos seus realizadores.

Se o Cinema Novo e a chamada “Geração Paissandu” foram profundamente influenciados pela vanguarda e pela ousadia do cineasta francês, o mesmo se pode dizer do cinema brasileiro feito dali em diante. Dessa maneira, autores do chamado Cinema marginal – Júlio Bressane E Neville D’Almeida – também serão trazidos ao documentário para discutir as influências, contradições e referências á obra de Godard dentro dos seus filmes. E não termina por aí. Ainda hoje, as novas gerações de cineastas brasileiros guardam o gérmen da revolução estética e da contestação da narrativa tradicional. Em especial, os realizadores formados ou em formação nas principais escolas de cinema do país – sendo a UFF e a USP grandes expoentes.

  • José Carlos Monteiro

As invenções radicais de linguagem e as provocações ideológicas do enfant terrible da Nouvelle Vague romperam paradigmas estéticos e aprofundaram na crítica brasileira a ruptura política já instalada desde as polêmicas sobre o realismo socialista (concepção repudiada pelos conservadores) e a “transparência democrática” dos espetáculos norte-americanos (noção contestada pelos vanguardistas da esquerda). Enquanto os tradicionalistas, preconceituosos, execravam as “orgias experimentais” de Godard, os exeretas da renovação, entusiasmados, viam em seus filmes formas inovadoras de representação da realidade humana.

Godard, segundo Glauber, é um crítico realista da sociedade contemporânea, em particular da sociedade capitalista francesa. Em “reportagens poéticas sobre esta sociedade”, ele mantinha-se sempre à distância – observando como um sociólogo e se emocionando como um poeta. Esta dupla atitude o coloca “acima de marxismo e opositores”. Glauber atribui a estratégia godardiana de colocar  seus personagens falando gíria, citando Corneille, racine e Poe a uma generosa visão de mundo: ” O cinema de Godard é aberto como a vida. (…) Todos os diretores de cinema “dramatizam” os fatos. Godard “desdramatiza”, isto é, o importante não é contar uma estória, mas elaborar um universo vivo.” A essa altura, fins da década de 1960, já personalidade de relevo internacional, Glauber escrevia para revistas e jornais brasileiros dando conta criticamente da evolução de Godard. No Brasil, praticamente não se via mais nada dele. Solidário com aquele que considerava um “homem moderno, livre, honesto”, Glaber chegou a afirmar: “Em Godard, tudo é procura, é imperfeição, é angústia, é revolução.”

MOSTRA DE FILMES NA SALA DE CULTURA LEILA DINIZ

18/11/2013 – 15H (O ACOSSADO)

19/11/2013 – 15H (O DEMÔNIO DAS ONZE HORAS)

21/11 -15H (JE VOUS SALUE MARIE)

22/11 – 15H (O DESPREZO)

Serviço

Expo (r) Godard

Exposição de 07 a 30 de novembro de 2013.

Horário de visita: de 2ª a 6ª das 10h às 17h

Curadoria: Aida Marques

Mostra de Filmes: 18, 19, 21 e 22  de Novembro de 2013, às 15h.

Endereço: Sala de Cultura Leila Diniz

Rua Heitor Carrilho, 81 – Centro, Niterói

Telefones: (21) 2717-4141 e 2717-5299

ENTRADA FRANCA.

 Fonte: Sala de Cultura Leila Diniz

por Cláudio Barbosa

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