Giro Cultural de agosto trouxe relançamentos de livros de Gracinda Rosa “Fui Professora / memórias 2” e “Olhando para trás- memórias”. E Sala de Cultura Leila Diniz apresentou o espetáculo infantil “Cigarra e a Formiga”, junto à exposição “Imagens do Futebol”

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A 20ª edição do Giro Cultural aconteceu no dia 10 de agosto, sábado, reunindo atividades gratuitas e diversificadas para o público. O evento começou às 10h com o lançamento dos livros “Olhando para trás – memórias” e “Fui professora – memórias 2”, da autora Gracinda Rosa, na Livraria Ideal. A segunda parte do Giro, dedicada às crianças, começou ao meio-dia, na Sala de Cultura Leila Diniz com a peça “A Cigarra e a Formiga”, da Infocus Companhia de Teatro. O espetáculo é uma adaptação da clássica fábula infantil de Jean de La Fontaine que narra a história da formiga trabalhadora e da cigarra cantora. Além da peça, quem esteve presente no espaço cultural da Imprensa Oficial pode conhecer a exposição “Imagens do Futebol” que tem o esporte mais querido pelos brasileiros como tema central. Sobretudo, quem veio ao evento pela primeira vez, conheceu a Livraria Ideal e o espaço cultural Sala de Cultura Leila Diniz.

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O Giro Cultural é uma iniciativa da Nova Imprensa Oficial, presidido pela diretoria de Haroldo Zager; com o apoio da Prefeitura de Niterói; Fundação de Artes de Niterói (FAN); Livraria Ideal, de Carlos Mônaco e TV Universitária da UFF – Unitevê. O evento, como sempre, é gratuito e pode ser feito todo a pé pelo visitante.

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  • Quem é Gracinda Rosa:

Gracinda Rosa nasceu em Engenheiro Passos, município de Resende (RJ), em 1933. Reside em Niterói desde 1945. Formou-se professora no Instituto de Educação de Niterói. Fez o Curso de Pedagogia na antiga Faculdade Fluminense de Filosofia. Na Universidade Federal Fluminense (UFF) completou o Curso de Jornalismo e o Mestrado em Educação. Foi professora primária e de ensino médio. Atualmente está aposentada. “Pequenos Amores” (contos) foi seu livro de estreia, em 2005. O romance “Cabine Individual” foi publicado em 2007. Em 2012 lançou o livro de memórias “Olhando para trás“. Apresenta, agora, “Fui Professora” – Memórias / 2.Gracinda pertence à Academia Niteroiense de Letras, à Associação Niteroiense de Escritores, aos Escritores ao Ar Livre e ao Clube de Leitura Icaraí.

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“A escola hoje está muito difícil, pois a tecnologia vindas da internet, tablets, celulares e outros desvalorizou o professor. Enquanto ao salário, realmente o professor sempre ganhou pouco, e quem não aceita, acaba mudando de profissão. Mas usar o salário baixo para não ensinar bem, não é pretexto. Eu sempre tive o salário baixo e sempre ensinei muito bem.”

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  • Obras:

“Fui professora – memórias / 2″

Com um longo caminho trilhado na salas de aula, Gracinda Rosa nos apresenta um novo livro de memórias, que abrange sua formação para professora e seus 40 anos de magistério. Fala de seus estudos, do início da carreira de professora, de sua longa experiência com turmas de alfabetização, de seu trabalho com normalistas e com alunos da 5ª à 8ª séries e de sua atuação como coordenadora pedagógica.

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“Olhando para trás – memórias”

Cérebro e Coração

Deliciosa coincidência Terminada, havia pouco, a releitura do primeiro volume das “Memórias” do sergipano Gilberto Amado, tive a gratíssima oportunidade de receber da minha conterrânea Gracinda Rosa, para uma prévia degustação, os originais destas suas recordações de uma infância e de uma adolescência (1933-1950) vividas no interior fluminense, onde ela nasceu, e nesta cidade de Niterói, antiga capital do Estado, onde ela reside até hoje.

Desde logo me declaro um faminto e insaciável devorador dos livros de memórias, nacionais e universais, como repositórios da experiência humana: Joaquim Nabuco, Afonso Arinas, Sarmiento, Santos Chocano, José Américo de Almeida, Medeirose Albuquerque, Cândido Mota Filho… E Gracinda Rosa estava ciente da mania deste seu confrade, quando me confiou os originais, como também sabe que proclamo, de público, ser um entusiástico admirador de sua personalidade, precisamente do seu talento de escritora, dotada de especiais tendências para o gênero narrativo.

Em “Olhando para trás” – título fiel do conteúdo das reminiscências recolhidas no livro – direi que o seu estilo claro, escorreito, fluente, conciso, cumpre maravilhosamente a missão de consensar, ao lado das origens e da evolução de uma família brasileira, aliás, característicamente, fluminense, a história pessoal, minuciosamente contada, de uma jovem descendente de imigrantes portugueses, de pai português e mãe  niteroiense, nas diferentes fases de sua existência, contemporânea de importantes acontecimentos sociais e políticos do século passado.

Cérebro e coração trabalharam, unissonamente, na configuração desses quadros, que Gracinda Rosa, senhora de privilegiada memória e de invejável disciplina intelectual, soube gravar em letra de forma. Gostei… e muito!

Sávio Soares de Sousa.

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Fui professora – memórias /2

Sumário

  • Introdução
  • Vida de estudante
  • Vida de professora
  • Tronei-me alfabetizadora
  • Ousei nova experiência
  • Orientando o ensino de 1ª série
  • Ensinando Metodologia na Escola Normal
  • Voltando à alfabetização
  • Situações especiais
  • Polivalência
  • Tantas saudades!

“Olhando para trás – memórias”

Sumário

  • Introdução
  • Uma família numerosa
  • A escola onde nasci
  • A Revolução de 32
  • Um feriado escolar
  • Infância na roça
  • Mudando de roça
  • Nova mudança
  • Governado Portela
  • Finalmente Niterói

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Alberto Araújo, jornalista, poeta- escritor, diz ter conhecido Gracinda faz três anos: “Tenho todos os livros de Gracinda – Olhando para trás; Cabine Individual; Fui professora  Memórias 2; e Olhando para trás. Ela é uma escritora que faz leituras de fácil acesso e nos deixa bem sensibilizados com o que escreve. E nos repassa a sua experiência de vida como professora em “Fui Professora -Memórias 2“. E nos deixa bem sensibilizado com o que escreve, pois é um texto bem escrito. É um privilégio conhecer o trabalho de Gracinda como professora e escritora. E acima de tudo ser amigo dessa grande escritora.”

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Mariza Quitanilla, faz parte do Movimento do Grupo Mônaco de Cultura, e frisa a importância do evento em sua trajetória, além da riqueza da autora Gracinda Rosa como escritora: “Estamos no segundo ano do Giro Cultural, tanto na Livraria Ideal, quanto na Sala de Cultura Leila Diniz, vemos o público cada vez mais participando. Enquanto aos lançamento na Livraria, cada vez mais temos enriquecido com novos lançamento e relançamentos. Já  a autora Gracinda Rosa é uma escritora de respeito, pessoa muito querida, muito bem aceita. E acho que Gracinda é muito sensível. E é isso que eu mais aprecio  nela, muita sensibilidade. Rss”

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Uma família Numerosa

A Família que trato na lembrança dos meus tempos de menina, vividos no interior, limitava-se, quase exclusivamente, a meus pais e seus quatro filhos, entre os quais eu ocupava o terceiro lugar. Mas, nas conversas noturnas, em que nós, as crianças, rodeávamos meu pai ou minha mãe para ouvir histórias ou casos reais da vida de ambos, as demais pessoas da família eram evocados com frequencia e íamos aprendendo o nome dos avós, tios e primos, com quem nunca tínhamos convivido. Eram muitos os parentes. Tantos nomes, tantas histórias de vida!… De vez em quando, um desses familiares nos visitava e passava uns dias conosco, na roça. Essa curta convivência nos alegrava e nos levava muitas novidades.

Meu pai

“Da família do meu pai, pouco sabíamos. Meus avós paternos, Sophia Rosa e Miguel José da Costa, que eram portugueses, já tinham morrido
quando nasci.”trecho.

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Minha Mãe

“Minha mãe veio ao mundo no dia 2 de agosto de 1909, nunca casa da Rua Visconde do Rio Branco, em Niterói, ladeada de vizinhos amigos.”trecho.

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Finalmente Niterói

“Foi Graças à Tenacidade de Minha Mãe que, no ano de 1945, realizamos uma nova e definitiva mudança. Concretizava-se o sonho de virmos para Niterói”trecho.

  • Entrevista
  • Fui Professora – Memórias II

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“Sou Gracinda Rosa, fui professora e passei a escrever livros. Já estou no quarto livro. Fui convidada para relançar os meu dois últimos livros aqui no Calçadão da Cultura – Projeto “Giro Cultural” (“Fui professora – memórias /2″ e “Olhando para trás memórias“). Nasci no interior, mas minha mãe era professora. E de onde vim completei meu curso primário. Vindo para Niterói na década de 1945, estudei no Liceu Nilo Peçanha em Niterói, onde completei o meu ginásio e curso normal. Comecei a lecionar em 1943. E trabalhei no magistério durante 40 anos. E na década de 1993, aposentei-me como professora do estado do Rio de Janeiro no Instituto de Educação Prof. Mariel Coutinho – Niterói. Trabalhei como professora primária por 33 anos, e quando fiz concurso para o ensino médio, trabalhei 27 anos na Escola Normal. O período de trabalho foi de 1953 a 1993, foram 40 anos como professora. Neste livro relato a minha trajetória como professora e todos os principais fatos que me aconteceram enquanto lecionava no magistério. No livro, faço também uma dedicação aos meus alunos. Por fim, são memórias e recordações deste tempo. E o que tenho a declarar, é que gostava muito do meu trabalho como professora.”, declara Gracinda Rosa, autora dos livros.

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Escolas

Raul Vidal – Ponta d’Areia;

Joaquim Távola – Icaraí no Campo de São Bento.

“Além disso, fui alfabetizadora, que é uma atividade muito linda. Porém, quando fui trabalhar na Escola Normal, foi outra coisa, pois é bem diferente. Minha cadeira era “Didática”, por isso, gostava muito de passar as informações para os alunos (as).” informa.

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Experiência como Alfabetizadora:

“Procurava inovar a metodologia e buscava fazer com que a criança se sentisse bem, alegre com a sala de aula. Publiquei “Caderninhos de Exercícios” na fase preparatória e, depois uma Cartilha com dois volumes: “Cartilha I e Cartilha  II”, conta.

Gracinda relata em seu livro situações especiais que conviveu com seus alunos:

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Situações especiais.

“Eu amava meus alunos. Com eles convivia boa parte da minha vida. Não era possível separar a Gracinda professora da Gracinda pessoa, com todos os seus sentimentos, suas dúvidas,seus ideais, suas tristezas. Os alunos eram parte integrante dessa vida. Criançada miúda, cheia de vivacidade, cujos modos de ser tão diferentes me envolviam, alimentavam minha alma e meu coração. Naquele convívio diário, surgiam às vezes situações especiais, marcantes, que de certo modo davam mais significado aos momentos vividos na escola. Quero lembrar algumas dessas situações. Não sendo possível consultar as pessoas nelas envolvidas, pedindo autorização para usar seus nomes, lançarei mão de nomes fictícios.” trecho.

Um caso:

Uma Senhorita

“Era dia de reunião de mães, que sempre acontecia depois do recreio. Na véspera, os alunos tinham levado os convites para a reunião. No início da aula, durante a rotina, a Mariana se aproximou da minha mesa para me dizer: “Mamãe não vem à reunião porque está com caganeira.”Ela era uma garotinha muita despachada um pouco alvoroçada, falava alto. Tinha o uniforme descuidado e os cabelos em desalinho. Dado o recado, voltou a sentar. Em seguida, a Sueli também veio dar o seu recado: “Mamãe mandou pedir desculpas pela ausência na reunião. Não poderá vir porque está com crise hepática. “À diferença no modo de falar, correspondia uma diferença no modo de ser dessa outra aluna, que parecia uma senhorita, sempre bem penteada, com uniforme impecável, óculos que lhe davam um ar de intelectual. Tinha gestos comedidos, fala delicada. Era sorridente e participava, mas um pouco tímida. Duas meninas da mesma idade, mas tão diferentes…”trecho.

  • “Olhando para trás – memórias”

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“Neste livro “Olhando para trás – memórias / 2, trago memórias desde que nasci até o colégio ginasial. Nasci no interior e vivi lá até os meus 11 anos de idade, porém mudando de lugarejos, pois minha mãe era professora. Como tenho boa memória, vou lembrando de tudo que acontecia nos lugarejos e vou contando tudo no livro. Aos 12 anos de idade vim para Niterói porque era uma vida completamente diferente, é uma cidade, e foi aqui que completei todo o meu curso ginasial. É o que conto na obra.”, esclarece Gracinda.

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“A vida na Roça foi bem aproveitada, pois éramos quatro irmãos. Havia muitas brincadeiras e tinha a escola que eu gostava muito, acima de tudo de estudar. Contudo, em Niterói foi uma mudança de vida muito grande e muito boa, pois o Liceu é uma escola muito boa. E foi uma vida muito rica e boa.”, enfatiza a autora.

Revolução de 1932

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“Antes de eu nascer, minha mãe morava na divisa com o estado de São Paulo. Em um lugar chamado Engenheiro Passos. Então neste lugar o povoado foi evacuado pelas tropas, por causa da fronteira que alojou as tropas. Então quando eu nasci o que mais se falava era contar a história dessa revolução em casa. Mas que não presenciei porque nasci em 1933 e a Revolução foi em 1932.  E meus dois irmãos já eram nascidos. Lá em casa só se falava nesta Revolução. O que eu lembrava, coloquei no livro por ter sido marcante na vida dos meus pais.

4º Lugar de Moradia

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“Governador Portela 4º lugar – onde acabei a 5ª série. Aproveitei as vivências do interior. Mas não havia Ginásio, por isso viemos para Niterói.”, diz.

Não fiz Êxodo Rural”

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“Não fizemos êxodo rural por causa de pobreza. A família de minha mãe e de meu pai eram de Niterói. E como ela fez concurso, foi para o interior lecionar. Fizemos uma volta para um lugar onde ela viveu a vida inteira, Niterói.”, explica.

Considerações finais: “Eu fiquei feliz de ter uma família como a que tive, Pai e Mãe atenciosos. E éramos cinco irmãos. Sobretudo,  é lindo ter uma família grande.”

“É nossa obrigação criar escolas em que as crianças tenham êxito”, Glasser

  • Sala de Cultura Leila Diniz

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Após o público visitar a Livraria Ideal para prestigiar a abertura do evento Giro Cultural com Gracinda Rosa, professora-aposentada e escritora, às 12h a Sala de Cultura Leila Diniz abriu com o espetáculo infantil “A Cigarra e a Formiga“.

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O produtor da peça Infocus, César, explica a moral do conto – A Cigarra e a Formiga: “O espetáculo tem como tradição resgatar as cantigas de rodas. Mas, não deixamos de contar a estória da Cigarra e a Formiga. Fazemos uma adaptação ao moderno para interagir com as crianças. E assim acabamos tendo a plateia participando também. Essa Fábula de Jean de La Fontaine conta que cada um tem um  lugar no seu ecossistema, embora ela cantando. O trabalho da cigarra era cantar. A cigarra tenta mostrar que existe diferença, no entanto, precisamos respeitar o espaço das pessoas. E que cada um tem a sua função, como as flores que possuem seus perfumes, e os espinhos. Cada um tem a sua função da natureza. O dom da cigarra é de cantar, como cada animal tem seu dom.”

Casal

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Antônio Carlos, servidor público, e Simone, moradores de Ponta D’Areia ressaltaram a receptividade da peça na Sala de Cultura Leila Diniz: “Foi divertida e interessante. É a primeira vez que viemos. E estamos felizes pela recepção. Somos moradores de Niterói.”.

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Além disso, quem visitou a Sala de Cultura, prestigiou a exposição “Imagens do Futebol” de Rodolfo e Tatiana Carneiro dos Reis. Rodolfo e Tatiana são irmão, nascidos em Niterói. A exposição Imagens do Futebol apresentada pelos dois irmãos ensaia uma reflexão sobre o acontecimento que ora se aproxima, a Copa do Mundo de Futebol. Um evento que reúne pessoas do mundo inteiro em uma exibição de massa e na formação de mitos, como é o espetáculo mundial de futebol.

Entrevista: Cláudio Barbosa

Texto: Cláudio Barbosa

Fotos: Cláudio Barbosa

Imagens: Livros Lançados de Grancinda Rosa

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