Verdade: Roberto Coda Zabett, em exposição no MAC

· Cultura, Exposição, Itália
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Após o grande êxito recebido pela crítica e pelo público na Cartuxa de Santiago (San Giacomo) em Capri, a exposição individual de Roberto Coda Zabetta “Verdade”, curada por Guilherme Bueno, Maria Savarese e Maurizio Siniscalco, se torna agora itinerante, sendo hospedada do dia 6 de outubro até 3 de novembro nos prestigiosos espaços do MAC – Museu de Arte Contemporânea de Niterói em Rio de Janeiro. A exposição é promovida pela Superintendência Especial pelo Patrimônio Histórico, Artístico e Etno-Antropológico e pelo Pólo Museológico da Cidade de Nápoles, assim como pela Associação Cultural ArteAs de Maurizio Siniscalco.

A exposição, que vai ter lugar sob o Patrocínio da Cidade de Paraty – geminada com a Cidade de Capri, do Instituto Cultural Italiano no Rio de Janeiro e da UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, apresenta uma vintena de obras sobre a intensa vicissitude dos desaparecidos brasileiros. A ideia de “Verdade” lhe foi sugerida, na verdade, pela memória de todos os que sofreram prisão em um dos sistemas carcerários mais cruéis do mundo: o das prisões brasileiras durante o período da ditadura de 1964 até 1984. Crianças, jovens e mulheres desapareceram sem deixar rastro nenhum, exceto aquele indelével na memória de todos os que viveram indiretamente aquela experiência tão trágica.

Após dois anos de polêmicas e debates, em 21 de setembro do ano passado, a Câmara dos Deputados brasileira aprovou enfim a criação da chamada “Comissão da Verdade”, a fim de “examinar e esclarecer as graves violações dos direitos humanos” que aconteceram entre 1964 e 1988 e de “tornar efetivo o direito à memória e à verdade histórica, permitindo a reconciliação nacional”. As obras expostas estão divididas em duas seções, a saber: Tables, que inclui algumas obras de pequeno formato, com molduras do século XVIII em que eles estão engastados objetos do uso cotidiano ou religiosos, pequenos bronzes e preciosas terracotas, relíquias que pertenceram aos próprios desaparecidos e, no interior, retratos pintados rapidamente ainda com sinais do lápis a servir no fundo da composição.

Ao lado deles, encontramos Escudos, quinze pinturas de grande formato, realizadas sobre velhos tecidos, em que estão representados rostos quase iguais, numa uma repetição de imagens cuja história está cheia de matéria: em todas estas obras, Roberto Coda Zabetta nunca pretende fazer um conto de morte, mas, pelo contrário, apresenta uma verdade contemporânea com a esperança de poder encontrar um diálogo sincero.

  • Roberto Coda Zabetta

Roberto Coda Zabetta nasceu em Biella, em janeiro de 1975. Lá, ele frequentou inicialmente o Instituto Técnico Experimental, e depois completou seus estudos no Instituto de Arte de Roma. Em 1995, ele conheceu Aldo Mondino, de quem, entre 1996 e 2000, foi assistente de estúdio. Em 1997, ele começou a participar em exposições assim como em algumas competições para jovens artistas, tanto na Itália como no estrangeiro. Identità anonime (Identidades anônimas, 2000) foi seu primeiro catálogo, dedicado às crianças que morreram no genocídio em Ruanda.

Em 2001 mudou-se para Milão. Nestes anos foram publicados os livros: In Coda (Na Bicha, 2003), PPP e Colors (ambos em 2004). Entre 2005 e 2006 tiveram lugar duas grandes exposições, nomeadamente: a primeira no Palácio Venezia e a segunda no Teatro India, ambas em Roma. Depois seguiram-se exposições individuais assim como participações em exposições coletivas em espaços públicos e privados, que deram origem a um forte movimento de crítica acerca de seu trabalho.

Foi precisamente naqueles anos que saiu o catálogo editado por Robert C. Morgan: Psichic Persona. Logo depois ele partiu para Paris e Londres, onde viveu por um ano, frequentando alguns cursos na Saint Martin School. Fundamental naquela estadia se revelaria o conhecimento de David Roberts, Martin Holman e Laura Petrillo. Então ele começou a série dedicada ao Oriente.

Em abril de 2008, a Galeria Nacional da Indonésia lhe dedicou uma exposição individual, que foi seguida por exposições em Cingapura, Hong Kong e Pequim. Foi publicado o livro Koi Dan Trinacria. Ele voltou para a Itália, onde estabeleceu seu novo estúdio em uma pequena aldeia na região das Marcas.

Em 2009 inaugurou com uma exposição individual o Festival dos Dois Mundos, em Spoleto, nos espaços de Palácio Collicola.

Em 2010, Milão lhe dedicou uma exposição individual muito importante no Palácio Real da cidade, Nuvole Sacre (Nuvens Sagradas). Mais tarde, esta foi transferida para o PAN – Palácio das Artes de Nápoles.

Em 2011 tiveram lugar, nos primeiros meses do ano, duas exposições, a saber: Proibito (Proibido), na Langgang Art Foundation em Jacarta, e Ex Voto, no Espaço Cultural Antonio Ratti / Antiga Igreja de São Francisco em Como. Roberto Coda Zabetta foi homenageado com os mais importantes prêmios italianos – Prêmio Passaggi a Nord-Ovest da Fundação Pistoletto, Prêmio Arte-Fiera em Bolonha, Prêmio para Jovens Artistas Miart 2003 e 2004, finalista para o Prêmio Cairo Communications – e selecionado para a Dena Foundation no Centre International d’Accueil et d’Échanges des Récollets em Paris, e finalmente para o BP Portrait Award 2006 em Londres.

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Informações

Data: sábado 06 de outubro  – sábado, 3 de novembro de 2012

Horários: TER > DOM: 10h00 > 18h00

Local: MAC – Museu de Arte Contemporanea – Mirante da Boa Viagem

Organizado por: ArteAS Associazione Culturale

Em colaboração com: IICRio – Istituto Italiano di Cultura do Rio de Janeiro

Bilheteria

Fonte: Instituto Italiano de Cultura

por Cláudio Barbosa

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