Evento na FBN marca homenagem a um dos maiores bibliógrafos de Niterói e também uma homenagem ao italiano Silvestre Mônaco, pai de Carlos Mônaco

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Aníbal Bragança, coordenador do evento “IX Encontro da série Os Livros e a Vida literária do Rio de Janeiro”, abriu a sessão que ocorreu no Auditório Machado de Assis da Fundação da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, sob a presença de Carlos Silvestre Mônaco e Jorge Gandra Mendes. Roberto dos Santos Almeida, um dos ocupantes da mesa, não pode estar presente. Aníbal conduziu um breve resumo da vida e obra de Carlos Silvestre Mônaco, livreiro e produtor cultural da Livraria Ideal. E apresentou os palestrantes ao público. Além disso, durante a palestra houve também um marco de uma homenagem ao livreiro italiano Silvestre Mônaco com a apresentação do livro publicado pela editora USP, e tese de mestrado do professor Aníbal Bragança – Livraria Ideal: Do Cordel à Bibliofilia.

Estiveram presentes no evento a presidenta do (IHGN), Franci M Darigo; a escritora infantil Edel Costa; o presidente da Nova Imprensa Oficial do estado do Rio de Janeiro – Haroldo Zager; o  presidente da Academia de Belas Artes de Niterói – Edson Freire; a apresentadora  da Unitevê canal 17, do Grupo Mônaco Cultura & Saúde – Elizabeth do Valle; o presidente do IHGSG – Marco M Varella; o jornalista – Gentil Costa; a assistente de Carlos Mônaco – Marília Quitanilha, entreas as mídias: A revista Italiana – Comunitá, O Fluminense e outros amigos do palestrante e ouvintes.

O Livreiro, Carlos Mônaco, seguiu com sua palestra, e destacou a função de bibliógrafo como parte de seu aprendizado dado por seu pai, Silvestre Mônaco. “Uma livraria é como uma universidade. E a paixão não é pelos livros e sim pelos amantes de livros. Sobretudo, todo livreiro tem uma história para contar”.

Ao citar obras de sua preferência, Carlos Mônaco, disse que já leu muitas obras nacionais, internacionais, e entre as que mais apreciou foram as obras de autores fluminenses. Entre os livros que teve tanto prestígio em conseguir, foi  a coleção de  “O Bandolin  de Luís Pestarin”. Outras obras citadas foram: 2º Edição de Os Sertões de Euclides da Cunha, Balzac, Clarice Lispector, Machado de Assis, Ágatha Christie, Sidney Sheldon, além da coleção clássica (Platão, Aristóteles, Hipócrates, Sócrates), e muitas outras obras que o facina. Em sua história como livreiro, iniciou com a venda de um livro. ” Comecei com a venda de um livro. E chava que tiraria nota 10 pelo meu pai”, destacou Mônaco.

Em uma homenagem ao livreiro, italiano Silvetre Mônaco, que iniciou a vida em Niterói como engraxate, chegando a livreiro de cordel, Aníbal Bragança, apresentou sua obra de tese de mestrado – Livraria Ideal: Do Cordel à Bibliofilia”, obra editada pela editora da USP. “Aproveito para dizer que esta obra é uma homenagem ao seu pai, Silvestre Mônaco. E agradeço a todos da família, principalmente a sua mãe, D. Francisca Totino Mônaco, porque me dexou acesar todos os documentos e arquivos da livraria,”, informou o historiador.

No final de sua palestra Carlos Mônaco lamentou a perda da biblioteca de Walter Cunha,  e disse ficar muito feliz quando alguém o procura para indicar um livro para ler.

Jorge Gandira Mendes ressaltou a brilhante carreira do imigrante italiano como livreiro em Niterói e abriu o espaço para contar um pouco sobre a trajetrória do imigrante.” Silvestre Mônaco vendia livros usados. E com o passar do tempo, tornei-me freguês da Livraria Ideal. Silvestre Mônaco deixava o cliente ler o livro, e foi assim que chegou de engraxate à livreiro. E o próprio Mauro Couto admirava muito o imigrante Silvetre Mônaco, dizia: “Cuidado com aquele italiano, ele entende muito de livros”. Em considerações finais Jorge disse: “Sinto que o Brasil foi muito feliz em receber a família Mônaco, e por eles ter vindo da Itália para o Brasil”.

No final da palestra Aníbal Bragança retomou a mesa e citou um breve histórico a respeito de Carlos Mônaco: ” Atualmente as grandes livrarias são as livrarias de shoppings e Megastore, no entanto, não possuem pessoas que orientem e saibam sobre o livro. Eu costumava pedir ajuda de Carlos Mônaco para poder comprar uma livraria. Carlinhos é o tipo de livreiro que se formou junto ao pai, junto aos leitores e  junto ao universo dos livros. Ele sabe tudo sobre livros do século XVIII, XIX, e assim por diante. E também referências de épocas que foram editadas e por acervos formados por uma vida inteira. Sabe e leu livros em diversas línguas como inglês, alemão, francês, espanhol, latim, entre outras.

  • Perguntas do público para os palestrantes:

Aníbal Bragança – coordenador da mesa  e professor da (UFF): Qual é a importância de uma livraria para uma cidade ou comunidade?. Você tem feito da Livraria Ideal um ambiente cultural, e faz várias publicações na Livraria. Além de reunir todo sábado, uma vez por semana,  muitos intelectuais de Niterói. E longe de comércio, ensinado pelo pai.

Mônaco: Acho que o papel do livreiro é muito importante na cidade. Tenho sempre encaminhado as pessoas à leitura. Não encaminho obras de Platão, Hipócrates, ou outros clássicos a alguém que não vai saber usar. Passei um acervos para pessoas que iam usar, pois não adianta ficar só para o meu uso. Ou seja, a sociedade precisa ter acesso. E critico o valor do livro com preços elevados em base de R$ 40 reais ou mais. E aplaudo de pé a iniciativa de Haroldo Zager, presidente da Nova Imprensa Oficial,  pelo projeto de livros a preços populares R$ 2 a R$ 3 reais. E nosso evento cultural muito prestigiado em Niterói ” Giro Cultural”.

Marcos V M Varella – presidente do( IHGSG): Acompanhei Carlinhos e acompanhei as obras de seu acervo. E uma delas era uma obra de Fagundes Varella. Carlos Mônaco, você além de Dr. Miguel, encontrou obras do acervo de Fagundes Varella?

Mônaco: Em termos de qualidade e raridade, conheci a melhor biblioteca com obras de Platão, Aristóteles, Hipócrates, Sócrates e outros. Entre as biblioteca e acervo Moura e Silva com histórias da Cia de Jesus; Roberto Lamego, natural de Itaboraí, com edições preciosas de Euclides da Cunha. E os primeiros Sociólogios do Rio de Janeiro que eram da região fluminense.

Maria – Membra  da Academia Luso-brasileira, historiadora: Sabendo que você, Carlos Mônaco é livreiro, caso tenha um livro importante, você teria coragem de vender  ou guardaria para você?

Mônaco: Procurava ter as obras do Bandolinho, e obras de autores fluminenses raras. Procuro dar os livros para pessoas que vão valorizar. É bom passar o livro para pessoas que vão gostar. Passei 8 mil livros do meu acervo para o Centro de Memória Fluminense.

Haroldo Zager- presidente da Nova Imprensa Oficial do estado do (RJ): Sobre o livro impresso e o livro baixado na internet; o livro impresso pode acabar? E sobre o mito de que o brasileiro não lê, é verdade?

Mônaco: Na minha opinião não vai acabar o livro impresso. Com certeza houve uma queda com a internet, e alguns autores foram extintos. Sobre o caso do brasileiro que não lê, posso responder com uma pergunta: “A Imprensa Oficial tem um projeto de livros a preços populares de R$ 2 ou até R$ 3 reais. Quantos livros já vendeu?

Haroldo Zager: Já vendeu mais de 600 mil livros.

Mônaco: Então já está respondido. Há pessoas que gostam de ler e outras que não gostam. Mas sabemos que o livro não ficará extinto.

Elizabeth do Valle – Membra da Academia de Letras de Niterói e apresentadora do Grupo Mônaco Cultura & Saúde do canal 17 – Unitevê: Primeiramente o agradecimento a todos e a você, Carlos Mônaco. Você traz no seu DNA uma grandeza, que é essa pessoa que você é. Como é ampliar a sua livraria para uma emissora de TV?. E como está sendo isso para você?

Mônaco: Eu acho que isso é natural. Nasci para isso, não foi só para vender livros. Tive o desejo de divulgar os institutos. E agradeço as mídias presentes que estiveram e estão sempre comigo, como o Jornal O Fluminense; A Revista Comunitá, e outros mais que estão aqui presentes.

Cláudio Barbosa – estudante de Jornalismo (UFF): Mônaco, na sua opinião, o que tem mais saída de livros na sua livraria para os universitários?

Mônaco: Na parte de Direito, costuma-se sair bastante, mas os livros são mais atuais. Na parte de artes, filosofia, história e letras, costuma-se ter mais procura. Medicina e outras áreas de exatas saem razoável.

por Cláudio Barbosa

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