Luís Antônio Pimentel foi o Homenageado do Ano na Livraria Ideal, e considerado o melhor poeta de Haicais de Niterói e do Brasil

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A Terceira Edição do Giro Cultural foi anunciado por Carlos Mônaco ao vivo pela TV Universitária da Universidade Federal Fluminense (Unitevê) pelo  Canal 17 Niterói e São Gonçalo, no dia 10 de janeiro de 2012. O evento, idealizado pela Nova Imprensa Oficial, contou com uma maravilhosa homenagem ao jornalista, escritor e poeta. Luis Antônio Pimentel foi prestigiado por amigos, presidentes de importantes institutos de Niterói, pessoas que acompanharam a sua carreira e as principais Imprensas do município como O Fluminense. A entrega do Certificado de Cidadania, uma homenagem ao cidadão de Niterói – Luís Antônio Pimentel, ocorreu às 11h. da manhã. E todos seus amigos e convidados ficaram muito satisfeitos por tamanha consideração ao poeta. A obra de Luís Antônio Pimentel ficou exposta para o público durante o evento na Livraria Ideal.

Em viagem feita ao Japão de 1937 a 1942, Pimentel esteve em contato com autoridades japonesas. E no retorno ao Brasil, iniciou trabalhos com poesias do estilo nipônico. Luis Antônio Pimentel se tornou o jornalista, escritor e poeta mais prestigiado no estilo Haicai de Niterói. E tem sido considerado o percursor do Haicai no Brasil desde então. A sua vasta obra é uma coletânea: Contos do velho Nipon (1940), Tankas e haicais (1953), Cem haicais eróticos e um soneto de amor nipônico (2004). Todas. encontram-se reunidas em três volumes publicados pela editora Niterói Livros, que contém o texto integral de Tankas e Haicais, tal como coordenada pelo professor Nelson Eckhardt em 1953.

O Haicai ( Haikai) – sua origem e forma 

O Haicai é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas têm três linhas, contendo na primeira, e na última, cinco caracteres japoneses – o que totaliza sempre cinco sílabas. E sete caracteres na segunda linha -sete sílabas. Em português é escrito haicai. Mas muitas vezes, há uma pintura que acompanhar o haicai , que se chama de haiga. “Haijin” é o nome que se dá aos escritores desse tipo de poema, e o principal haijin (ou haicaísta), dentre os muitos que se destacaram foi Matsuô Bashô (1644-1694), que se dedicou a fazer do haikai uma prática espiritual.

Pimentel e os Haicais

Pimentel tem sido um dos percursores da poesia dos haicais no Brasil. Ele tem sido o responsável pela divulgação deste estilo de poesia ao lado de Olga Savary (escritora) e Helena Kolody (poetisa). A contribuição de Pimentel tem se tornado definitiva do termo “haicai” em língua portuguesa durante os estudos na faculdade de filosofia da Universidade do Brasil (atual UFRJ). O temo foi encaminhado a Aurélio Buarque de Holanda, por intermédio do gramático Celso Cunha, para o pedido de dicionarização, a fim de evitar que o termo se dispersasse em outras transliterações como hai-cai, hai-kai, haikai, haiku, hai-ku e por fim hokku. Com seu livro Namida no Kito, obra escrita em português no Japão e traduzida para o japonês no ano de 1940, Pimentel se tornou o primeiro autor brasileiro traduzido para o japonês. Com isso teve a sua primeira biografia, assinada por Alaôr Eduardo Scisínio. E sua obra tem recebido diversos estudos, como o escrito pelo filósofo brasileiro R.S. Kahlmeyer-Mertens, que nos últimos anos tem dedicado trabalhos sobre a produção de haicais do poeta, e destaca o pensamento de Pimentel para a contemporaneidade.

A homenagem aos 100 anos de Luis Antônio Pimentel acontecerá no dia 29 de março de 2012, no Campo de São Bento, que fica entre as Ruas: Lopes Trovão, Domingues de Sá, Gavião Peixoto e Av. Roberto Silveira.

Haicais de Luis Antônio Pimentel – seu histórico

•    KAHLMEYER-MERTENS,R.S. Verdade-Metafísica-Poesia – Um ensaio de filosofia a partir dos haicais de Luís Antônio Pimentel. Niterói: Nitpress, 2007.

  • Biografia de Luis Antônio Pimentel

•  SCISÍNIO, Alaôr Eduardo. Um tupiniquim na terra do sol nascente. Niterói: EdUFF, 1998.

  • Haicais de Luís Antônio Pimentel.

Luar na neblina.

Dentro da cabana escura,
Um ranger de redes

O vento levanta
a névoa fina do vale,
despertando a aurora.

Chove: chia a chuva
E, de chofre, o chão enxuto.
Encharca-se e se enxágua.

A onda, na bruma,
côncava, redonda, estronda.
Explodindo espuma

Predador perene,
pula o sapo-pipa e parte
o espelho do poço.

Que é um haicai?
É o cintilar das estrelas
num pingo de orvalho.

O cego pergunta:
como é o luar? E a jovem
beija-o na fronte.

Completa a ternura:
tira os espinhos da rosa,
antes de ofertá-la.

A jovem romântica
tirou todos os espinhos
do balcão florido.

Lagarta, hoje verme,
amanhã, em altos vôos,
vai sugar as flores.

Por Cláudio Barbosa

Texto revisado em 27 de março de 2016

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